5 passos para melhorar sua habilidade de falar inglês sem sair de casa
Há algum tempo atrás, eu tinha uma aluna que fazia aula umas duas vezes por semana. Ela era uma executiva que trabalhava muito, tinha filho pequeno, e ainda achava tempo para fazer a lição de inglês toda semana além das três horas de aula. Às vezes a lição era ler um texto, às vezes ouvir um áudio, ou simplesmente fazer exercícios de revisão. Mas na hora de falar sobre a lição durante a aula ela geralmente “engasgava”. Sabe como é? Apesar de você estar usando coisa que já viu na aula várias vezes, não lembra de uma palavra aqui, outra ali, confunde o tempo verbal, hesita, pára uns segundos antes de se decidir sobre a pronúncia, tudo isso antes de completar cinco sentenças.
Nós resolvemos fazer uma experiência. Eu selecionei um arquivo de áudio compatível com o nível de inglês dela, que ela deveria ouvir todo dia, repetidamente, por pelo menos 20 minutos (o áudio durava uns quatro minutos). Eu disse a ela para ouvir algumas vezes primeiro, e só depois ler a transcrição para esclarecer eventuais dúvidas, e então continuar ouvindo normalmente.
Ela cumpriu o combinado – colocou o áudio no CD player do carro e todo dia, voltando do trabalho, ia ouvindo. Quando nos reunimos uma semana depois, foi incrível ver como ela conseguiu falar sobre a estória contada no áudio, usando estruturas e vocabulário corretamente com uma desenvoltura para falar que nunca tinha tido antes.
Depois dela, houve outros alunos que fizeram a mesma coisa com resultados semelhantes – não é nenhum segredo: prática focada, repetitiva e constante de listening dá ao seu cérebro o input que ele precisa para aos poucos absorver uma nova língua. E nada mais normal que, de repente, você se pegue falando coisas que nem sabia que sabia, com uma habilidade que nem sabia que tinha. Ken Beare fala disso nesta entrevista; e Stephen Krashen, um dos maiores linguistas da atualidade, defende o uso de narrow input – em outras palavras, a prática repetitiva com áudio/texto de interesse e no nível de entendimento do aluno.
Imersão acontece naturalmente para quem mora num país de língua inglesa, mas para quem está aqui – Brasil, Portugal, etc… - the next best thing (“a próxima melhor alternativa”) pode ser criar sua própria rotina de imersão. Enquanto que praticar com brasileiros ou estudantes mundo afora é uma coisa muito boa – principalmente por ser mais fácil se soltar e falar sem medo com quem também está aprendendo – para que você consiga progredir na direção do inglês nativo você precisa ouvir… é isso aí, o inglês nativo.
Se você está pronto para dar uma alavancada na sua habilidade de falar inglês, dê uma olhada nas sugestões abaixo: elas são uma descrição passo a passo do que eu tenho visto funcionar para muita gente. Pessoas diferentes têm jeitos diferentes de aprender, mas quem sabe isso funcione para você também!
1. Avalie sua habilidade de fala na hora de escolher seu áudio de inglês
Entender regras de gramática inglesa e conseguir resolver exercícios é diferente, e geralmente mais fácil, do que conseguir falar naturalmente esse mesmo conteúdo. Se você já está estudando o condicional mas ainda se enrosca na hora de falar presente e passado simples, comece seu treinamento de listening e fala por aí – procure áudio que gira em torno de presente e passado. Visite a seção de áudio básico para ver várias sugestões de sites que oferecem esse tipo de material, ou use o CD ou cassete do seu livro de inglês.
2. Ouça o mesmo áudio várias vezes por 15-20 minutos, todo dia, por uma semana
Frequência e foco vão fazer maravilhas pelas suas habilidades: é muito mais eficiente ouvir um pouco várias vezes por semana do que ouvir uma tonelada de áudio uma vez por ano. Focar no mesmo áudio por um tempo também é diferente de ver filme e ouvir rádio em inglês de maneira aleatória – especialmente se você não entende metade do que está ouvindo. Enquanto que qualquer exposição à lingua inglesa com certeza é benéfica, você vai acelerar compreensão e fala muito mais se a prática for focada, e é claro que isso não significa deixar de ver filmes e ouvir programas de rádio.
3. Só leia a transcrição do áudio depois de ter ouvido algumas vezes
Não leia a transcrição nas primeiras duas ou três vezes, apenas ouça – isso é ótimo para você se acostumar a ser “pego de surpresa”. Se você escolheu um material de áudio apropriado, nas primeiras vezes já vai entender uma boa parte do que é dito (e mesmo assim, lembre-se que conseguir entender não é o mesmo que conseguir falar). Depois de algumas vezes, leia a transcrição para tirar dúvidas, e continue ouvindo.
4. Depois de uma semana, é a sua vez: repita o que ouviu
Repetir funciona. Depois que tiver ouvido bastante o áudio, dê uma pausa após uma sentença e repita, para ver como você se sai. Se você puder gravar para comparar com o original, melhor ainda. Se uma sentença estiver fácil, aumente para duas; se não, volte e pratique novamente até passar pelo áudio todo!
E uma dica simples, mas boa: se tiver dificuldade com uma palavra, expressão ou sentença em particular, o segredo é “quebrar em pedaços” e diminuir a velocidade na hora de falar. Por exemplo, vamos dizer que você tenha dificuldade em falar You’re welcome. Primeiro identifique a pronúncia correta no áudio e, se precisar, escreva a pronúncia em português:
You’re welcome: iúr uél cam (a sílaba tônica está sublinhada)
Qualquer pessoa consegue falar iúr. E depois falar uél, e depois falar cam. Repita as três devagar algumas vezes – depois faça isso sem ler.
iúr………. uél……………. cam……………
Vá aumentando a velocidade aos poucos. Não demora muito e você consegue falar em velocidade natural – é tiro e queda. Para finalizar, olhe para a expressão You’re welcome e pronuncie.
5. Faça a conexão entre som e grafia: leia e escreva
Estamos acostumados com o português, em que o “ã” sempre soa como “ã”, “vai” é sempre dito “vai” e o “h” nunca é pronunciado. Quando começamos a aprender inglês, vemos coisas que parecem estranhas: as palavras ate e eight têm a mesma pronúncia; o verbo read no tempo presente é pronunciado rid, e no passado se diz réd; não se pronuncia o “h” em honest mas em horror ele tem um som de “r”; e por aí vai…
Veja duas sugestões de uso da transcrição juntamente com o áudio, para ajudar sua mente a identificar e se acostumar com a relação entre os sons e a escrita do inglês.
- Leia os parágrafos do texto em voz alta e se puder, grave o que falou. Depois, ouça o áudio original e compare.
- Ouça frase por frase, e veja se consegue escrever cada uma corretamente.
Aqui vai o equipamento básico necessário: Acesso à Internet, CD player ou toca-fita, e gravador. Um gravadorzinho é útil para gravar sua própria voz e comparar com o que ouviu. Se você não tiver um gravadorzinho portátil, pode usar o do computador. Para quem tiver Windows, acesse Acessórios > Entretenimento > Gravador de som.
E você, o que sugere? Já usou alguma técnica especial que ajudou?
Veja também:



Pedro diz:
Olá!! Muito boa essas matérias e essas dicas!!
Obrigado!!Parabéns!!
Outro Pedro diz:
Muito boa essas dicas!!
Obrigado!
Rafael Dx7 diz:
eu fiz algo parecido, mas sem a mesma disciplina.
pegava vários podcasts em inglês e ficava ouvindo, mesmo sem entender nada, mas prestando atenção. depois de algumas semanas comecei a identificar bem melhor as palavras na fala, mesmo as com significado desconhecido.
vou voltar a fazer isso!
Nerci diz:
Obrigada pelas dicas.Continue ajudando-me enviando dicas. Vou valer me das dicas aqui colocadas.
Nerci
CAMILA diz:
ACREDITO QUE ESSA SEJA UMA BOA FORMA DE APRIMORAMENTO DA PRONÚNCIA E COMPREENSÃO DA LÍNGUA INGLESA. SEGUIREI AS ORIENTAÇÕES E EM BREVE RETORNAREI PARA RELATAR OS RESULTADO OBTIDO.
BOA SORTE PARA TODOS!!!
Ana Luiza diz:
Camila, aguardamos seu relato.
Cristina diz:
Olá,
Adorei as dicas, vou colocalas em prática.
Silvana Pires diz:
HI! ESTOU ADORANDO AS DICAS,TEM SIDO MUITO UTEIS PRA MIM,TENHO APRENDIDO MUITO.KEEP IN TOUCH!
Marcia Santos diz:
I’ve just found this marvelous site and its tips are it will be very important to me.
André Ricardo diz:
Bem eu acho que é interessante essas dicas, mas ruim ao mesmo tempo, pois nos leva a úsar bilhões de métodos diferentes(seria interessante se consequíssemos seguir uma só linha). Principalmente pra mim que estou começando, se eu for ler dicas e tento aplicá-las acabo me embananando todo…kkkkk valeu gente
Filipe diz:
bom, não sei se isso funciona muito não ..
tudo bem, o treino leva a perfeição, porém acho que isso não funciona simplesmente pelo fato de que ela ouve a MESMA coisa por 1 semana .. quer dizer, se ela for para os EUA, as pessoas de lá não irão ficar repetindo a mesma coisa por 1 semana .. eu já fui pra lá, morei quase 4 anos, e acredite, não existe NADA melhor do que tentar traduzir músicas, e outras, tenta traduzir alguns livros, primeiro, leia o livro quantas vezes for necessário, até você ter CERTEZA sobre o assunto, e depois, abra o microsof word ou escreve num pedaço de papel tudo o que você conseguiu traduzir .. outra dica, caso nao conheça uma palavra, vai nao dicionario, procura o significado, e escreve em cima da palavra, assim, quando voce tiver que ler novamente essa palavra, acredite, quando voce ler a palavra pela 4 ou 5 vez, ela vai ficar gravada na sua mente ..
espero ter ajudado ..
Ana Luiza diz:
Agradeço as dicas, e como eu disse acho que cada um tem uma preferência ou método que acha melhor: na minha experiência com alunos, isso tem funcionado bem com aquelas pessoas que são metódicas, etc. O que vejo é que muitas vezes a prática de listening é feita superficialmente e esporadicamente - o aluno pode completar um livro por semestre na escola de inglês mas a fala ainda fica “quebrada” - e é claro que depende do aluno. Se um aluno treinar com um áudio diferente por semana por 6 meses, nossa… acho que um aprendizado desses vai longe.
É verdade, as pessoas nos EUA não ficam mesmo repetindo a mesma coisa nem 2 dias, quanto mais uma semana. A técnica que descrevi não tenta reproduzir um ambiente nos EUA (impossível) mas tem a ver com retenção de estruturas comuns de uma língua, até chegar naquele nível de resposta instintiva em que não é preciso pensar. Quando a mente “pega” um certo mecanismo, vai embora e começa a aplicá-lo no vocabulário novo que ela aprende no decorrer do tempo.
E quanto a leitura… pessoalmente não recomendo como técnica de aprendizado de compreensão oral/fala/pronúncia, que é o tema desse artigo. Talvez você já tenha um bom conhecimento do idioma, mas quem não tem tende a “aportuguesar” as palavras que lê quando não tem uma referência boa da fonética do inglês. Já a idéia da música achei legal, muita gente adora estudar atráves de músicas.
Ana Luiza diz:
Pra falar a verdade eu entendo a sua frustração. Eu também já me senti perdida tentando aprender sobre determinados assuntos, com várias pessoas oferecendo vários métodos diferentes… Mas enfim - se você encontrar o que procura, conta aí.
irene pineda diz:
Adorei essa dica e acho que realmente funciona, também acho maravilhoso pessoas como vocês, dispostas a nos ajudar e passar suas experiência pois acho o professor de inglês um solitário.