Professora, não consigo pensar em inglês! Que eu faço? – Inglês Online

Professora, não consigo pensar em inglês! Que eu faço?

By Ana Luiza | Aprenda a Aprender

Oct 28
Professora, não consigo pensar em inglês - Que eu faço

Quem nunca ouviu esse clássico conselho, “Você tem que pensar em inglês”?

Um aluno me escreveu expressando toda a sua frustração por não conseguir colocar em prática esta famosa recomendação:

Outro problema que tenho é não pensar em inglês, eu sempre quero tentar traduzir ao pé da letra e como você sabe e eu também, não é o correto! Mas ainda não consegui mudar isso! 

Será que eu acho que isso é o correto? Veja o que eu disse (e talvez você se surpreenda):

(Se você está recebendo esse post pela newsletter, acesse o vídeo nesse link)

Série de dicas Como Falar Inglês

Transcrição do vídeo
Oi, pessoal! Aqui é Ana Luiza, do Inglês Online. Hoje eu estou aqui com mais uma dúvida de aluno. A dúvida hoje é: esse aluno me escreveu dizendo “Professora, eu não consigo pensar em inglês. Eu sei que isso é o correto a fazer, mas eu não consigo. Eu fico traduzindo na minha cabeça. O que eu faço?”.

Bom, esse negócio de pensar em inglês é uma daquelas coisas que o tempo vai passando, a gente vai se envolvendo com aprendizagem de inglês e aí começa a ouvir um monte de conselhos, um monte de recomendação e esse negócio de pensar em inglês é um dos mais populares. “Não, você tem que pensar em inglês. O negócio é pensar em inglês. Não pense em português, pensa em inglês”.

Bom, eu considero esse conselho, vamos dizer… uma coisa, um conselho muito equivocado e eu vou explicar o porquê. Então faz assim, olha, pensa comigo: imagina que você acabou de começar um curso de inglês pela primeira vez na sua vida. Imagina que você nunca estudou inglês na vida, é a primeira vez. Essa semana você foi na primeira aula, na terça-feira, e aí na quinta-feira você foi na segunda aula.

Então você teve duas aulas. Na primeira aula, vamos dizer, você aprendeu um diálogo, já teve um diálogo onde você cumprimentava as pessoas, né? “Oi, tudo bem?”. E aí na quinta-feira, teve a segunda aula, era um diálogo onde você se aprensentava. “Eu sou fulano. Oi, quem é você? Eu sou fulano de tal”, tudo bem. Então foi isso.

E vamos dizer que durante a aula, a professora passou o diálogo para você e para os outros alunos também, vamos dizer, três vezes. Você teve a oportunidade de ouvir aquele diálogo três vezes na primeira aula e três vezes na segunda aula.

E aí chega o fim-de-semana, depois de você ter tido essas duas aulas, aí você começa a pensar no que você aprendeu e tal. E você tem uma frase lá do primeiro diálogo que te marcou mais, você consegue lembrar quase todas as palavras daquela frase. Aí você tenta lembrar do diálogo todo e vem uma palavra solta aqui, mas o resto você não está muito lembrado. Mas, é a primeira semana. Tudo bem.

Aí você vai para a segunda semana, chega na terceira aula, o que acontece? Tem uma lição nova. Tem um diálogo novo. Então é um outro assunto. Vamos dizer, é uma continuação, vamos dizer que seja uma historinha, é uma continuação, mas é um diálogo novo. Mesma coisa: a professora passa o diálogo algumas vezes.

Aí chega na outra quinta-feira, que é a quarta aula. Já é outra lição. Mais uma vez: tem outro diálogo. A professora passa de novo o diálogo algumas vezes. Enquanto isso, você está fazendo exercícios, a professora está explicando gramática, está tirando dúvidas, tem exercício de completar, tem que corrigir lição de casa e tudo isso.

E aí chega no fim-de-semana dessa segunda semana, após a quarta aula, e você vai pensar naquele diálogo, naquele primeiro diálogo que você viu já faz quase duas semanas. E aí você vê que até aquela frase que tinha te marcado um pouco você já não está conseguindo lembrar direito. Daí em seguida você encontra com uma amiga sua, a Maria, e é uma amiga que já estuda inglês faz um tempinho e ela sabe que você começou pela primeira vez a estudar inglês.

Então vamos dizer que você encontra com essa amiga e ela fica toda entusiasmada que você começou a aprender inglês e ela quer falar com você e tal. “Hi! How are you? My name is Maria. Nice to meet you”. E aí você fica assim… “How are you?” Peraí! Acho que eu lembro… eu ouvi isso “How are you?”. Aí você consegue lembrar que uma das respostas para isso é “Fine”. “Aí, espera aí, a segunda parte é Nice to… o quê?! O que é isso, o que é isso mesmo?! Espera aí, eu vi isso na aula!”.

E aí quando você percebe, você está totalmente pensando em português. Totalmente. Você já está assim… e aí você diz: “Caramba! Olha aí eu pensando em português, eu sei que não pode pensar em português, mas eu não consigo ainda. Estou pensando em português. Que droga! Enquanto eu não pensar em inglês, eu não consigo falar. Eu tenho que cuidar para pensar em inglês.”.

Agora, eu quero fazer uma pergunta para você. Como é que você vai pensar aquela frase em inglês se você não absorveu essa frase ainda e se você não internalizou essa frase ainda? Você ouviu aquele primeiro diálogo três vezes na aula – lá atrás. Aí depois disso passou para o outro, né? Aí depois disso passou ainda para um outro. E foi isso. Três vezes.

Duas semanas depois, aquele diálogo que você ouviu três vezes já era! Aquilo já era! E quando você tenta falar, não sai. E a razão pela qual não sai, não é porque você é burro, não é porque você não leva jeito para o inglês e não é porque você está sendo desobediente e não está pensando em inglês. A razão pela qual não sai é que você está tentando inverter o processo de aquisição.

Você está invertendo a ordem natural de aquisição da língua, que é essa aqui: primeiro, você entende um pedaço daquela língua, você compreende aquilo; depois, você se expõe aquilo, você ouve aquele pedaço que você já compreende. Porque se você tiver ouvindo coisa que você não compreende, você está ouvindo barulho. Então você compreende, aí você começa a ouvir aquilo. E aí você continua ouvindo ou no mesmo diálogo ou em diálogos diferentes do mesmo nível, que contenha aquelas frases e aquelas palavras que você já compreende. Você ouve e aí você ouve mais. E aí você ouve mais um pouco! E aí chega uma hora que quando alguém fala aquilo, você entende imediatamente porque você se lembra, vamos dizer assim, sem esforço do que aquilo significa. Porque você já se acostumou, você internalizou.

E aí chega uma hora que não só você compreende o que a pessoa está falando como no momento em que você sentir relaxado, aquilo sai da sua boca, a resposta para o que a pessoa falou sai da sua boca sem pensar. Porque você já internalizou e já absorveu.

Quanto mais você pratica esse processo, quanto mais você se familiariza e pratica mesmo esse processo de (um) compreensão e (dois) exposição repetida àquilo que você compreendeu, mais a sua compreensão vai melhorando e, progressivamente, mais à vontade você vai se sentir para abrir a boca na hora certa e aquilo vir à sua cabeça sem fazer esforço. Me fala uma coisa: é isso que você chamaria de pensar em inglês, não é?

Então na próxima vez que ou alguém te der esse conselho – você tem que pensar em inglês – ou isso vier à sua cabeça, lembre-se que pensar em inglês é o resultado de um processo. E não é uma coisa que você pode forçar. Como é que você vai pensar em uma coisa que ainda não está na sua cabeça? Uma coisa que você não absorveu? Como é que você vai pensar aquilo?

Clique no link abaixo e acessa essa série de dicas que eu fiz que se chama “Como falar inglês”, para você ver os depoimentos de pessoas que colocaram em prática esse processo que eu acabei de descrever e ver o que elas falam sobre o impacto que esse processo tem na habilidade de falar inglês. Está bom?

Essa foi a dica de hoje e até a próxima!

  • Emerson says:

    Realmente é isso ai. Obrigado pela dica. Estou no inicio estou estudando todos dias pequenos períodos e aumentando e sim. Algumas coisas estão vindo naturalmente. Obrigado. Não só seu conteúdo mas aplicativos também.

  • Marilza Rocha says:

    Muito bom, Ana. Obrigada. Este realmente é um mito que é passado adiante sem pensar duas vezes.

  • Fabio says:

    Adorei! parabéns, professora, isso me mostra que estou na diraçõa certaa.

  • >